O cenário político de Macapá se agita com a proximidade das eleições, e os bastidores fervem com a velha máxima: “política é como nuvem, a gente olha e está de um jeito, daqui a pouco já mudou”. Recentemente, uma narrativa perigosa ganhou corpo em alguns círculos: a de que o Governador Clécio Luís estaria politicamente “morto”, enfraquecido, ou que sua reeleição seria um mero acaso. Um equívoco que, para quem tem aspirações de poder, pode se transformar em um precipício.
A “falsa impressão” de que Clécio era um adversário a ser facilmente subestimado pode custar caro a quem se arriscar a comprá-la. Governadores não são figuras decorativas; eles têm a máquina pública, a capacidade de entrega e, o mais importante, uma plataforma consolidada para a gestão. O suposto “coma político” de Clécio, na verdade, parece ter sido apenas uma fase de menor alarde midiático, que não se confunde com inatividade ou perda de capital político. A realidade, como sempre, é mais complexa do que as manchetes superficiais.
E é nesse tabuleiro complexo que o Prefeito de Macapá, Dr. Furlan, parece tentado a mover suas peças de ataque. No entanto, antes de declarar abertamente uma “guerra” eleitoral contra o atual governador, Furlan faria bem em olhar para o próprio quintal, ou melhor, para o próprio teto. A sabedoria popular é um conselho que raramente falha: “quem tem teto de vidro, não atira a primeira pedra”.
O “teto de vidro” da gestão Furlan não é uma abstração; ele é feito de material bastante concreto, e vem estilhaçando-se sob o peso de investigações e denúncias. Operações da Polícia Federal sobre o Hospital Municipal, questionamentos do Ministério Público acerca de contratos milionários de robótica, e episódios lamentáveis como a agressão filmada a um cinegrafista, são apenas algumas das rachaduras que expõem a vulnerabilidade do prefeito. Estes não são meros boatos de campanha, mas fatos que figuram em inquéritos e na imprensa.
Entrar em um embate direto e agressivo com o governador Clécio, neste momento, seria o equivalente a Furlan entregar a seus adversários munição farta e de alto calibre. Cada ataque, cada crítica ao governo estadual, seria prontamente rebatida com a lembrança dos saques em espécie, das licitações sob suspeita e das polêmicas que mancham sua própria administração. A tentativa de desviar o foco para o adversário acabaria por refletir, como em um espelho trincado, a imagem de suas próprias fragilidades.
O jogo político em Macapá é dinâmico, mas certos erros são elementares. Subestimar um adversário comprovado e, ao mesmo tempo, ignorar as próprias fragilidades investigadas, é uma receita para o desastre. Para Furlan, a “guerra” contra Clécio, mais do que uma batalha por votos, pode se tornar um referendo sobre suas próprias controvérsias.
A pergunta que Macapá se faz é: O Prefeito Furlan realmente acredita que sua gestão está acima de qualquer crítica ou investigação, a ponto de poder se dar ao luxo de atacar seus oponentes sem temer que seu próprio “teto de vidro” desabe de vez?