cenário político amapaense ganhou um novo e explosivo capítulo nesta semana. Um áudio vazado revelando uma conversa entre o senador Davi Alcolumbre (União Brasil) e o prefeito interino de Macapá, Pedro DaLua (União Brasil), veio a público, acirrando a disputa pelo poder na capital. O vazamento ocorre dias após a divulgação de levantamentos eleitorais que registraram uma queda nas intenções de voto do ex-prefeito Dr. Furlan (PSD), reflexo da repercussão das investigações sobre supostos desvios de recursos na área da saúde durante a sua gestão.
Na gravação, Davi orienta DaLua — que na época era apenas presidente da Câmara Municipal — a procurar um desembargador de forma isolada e justifica a articulação:
“Explicar pra ele toda a circunstância jurídica e política do caso que eu disse que eu estava pedido pra ele, porque o prefeito de Macapá tem muita força, tem muito poder, mas ele não pode tudo. O poder desses lacrimos [do legislativo] não pode ser subjogado quando o prefeito comete o crime de responsabilidade senão passando do o décimo [repassando o duodécimo].”
Em seguida, o senador desfere duras críticas à postura pessoal e política de Furlan, acusando-o de se apropriar do trabalho alheio para beneficiar apenas seu núcleo familiar:
“Felizmente é o nosso prefeito de Macapá, do meu ponto de vista, é um personagem que está vivendo do nosso trabalho, da nossa atuação, enquanto senadores, governadores, tudo que a gente fez pela cidade e ele desconsidera tudo que a gente faz, querendo ganhar os lojos [louros] só pra ele, pra mulher dele, pro irmão dele, pro filho dele. Eu não faço política assim, eu faço política de grupo, eu faço política de entrega, e tem uma coisa que eu gosto de fazer é ser grato às pessoas e reconhecer aquela que trabalha.”
O impacto das investigações na opinião pública
Embora a gravação, que repercutiu nacionalmente através do portal Metrópoles, trate-se de um áudio antigo — registrado meses antes da atual escalada da crise —, o seu vazamento ocorre em um momento de extrema vulnerabilidade para Dr. Furlan e ajuda a acirrar a disputa pelo poder na capital.
O resgate dessa conversa vem à tona poucos dias após a divulgação de levantamentos eleitorais que registraram uma queda significativa nas intenções de voto do ex-prefeito. Segundo analistas políticos, os números refletem uma mudança brusca de perspectiva do eleitorado macapaense: a população “acordou” para a gravidade das denúncias após a deflagração da Operação Paroxismo pela Polícia Federal.
A operação descortinou um suposto esquema de fraudes em licitações e desvios de verbas federais milionárias que deveriam ser destinadas à construção do Hospital Geral Municipal e à área da saúde. A gravidade dos escândalos de corrupção culminou em uma decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que determinou o afastamento imediato de Dr. Furlan e de seu vice, Mário Neto, da Prefeitura de Macapá.
Cenário de Instabilidade
O impacto do afastamento pelo STF forçou Furlan a adotar uma estratégia jurídica de renúncia ao cargo, alegando que focará em sua pré-candidatura ao Governo do Estado em 2026. No entanto, as pesquisas já mostram que os escândalos de corrupção na saúde desidrataram seu capital político.
Em seu lugar, assumiu justamente Pedro DaLua, que agora se vê no centro do furacão político. Com o Executivo municipal imerso em uma guerra de narrativas envolvendo denúncias atuais de desvios e o resgate de áudios do passado evidenciando rachas políticos severos, o eleitor do Amapá acompanha de perto uma crise institucional que promete reconfigurar todo o tabuleiro eleitoral do estado.