Quando o assunto é previdência, o que importa é uma coisa: tem dinheiro em caixa para pagar aposentados e pensionistas?
E, olhando os dados, a comparação entre Macapaprev (municipal) e Amprev (estadual) chama atenção por um motivo simples: uma caiu forte, a outra cresceu.
Macapaprev na gestão Furlan: o caixa derreteu
Na gestão de Antônio Furlan (2021–2025), o caixa da Macapaprev teria ido de R$ 176,8 milhões (em 2021) para R$ 39,4 milhões (em 2025).
Ou seja: uma queda de R$ 137 milhões só no dinheiro em caixa.
Além disso, o cenário é descrito com:
- saques frequentes e sucessivos (dinheiro saindo direto do caixa);
- contas no vermelho desde a primeira gestão;
- impacto direto sobre aposentados e pensionistas;
- suspeitas de gestão temerária e possível gestão fraudulenta;
- e uma CPI aprovada na Câmara Municipal para apurar o rombo, estimado em R$ 221 milhões quando se consideram passivos e saques recorrentes.
Em termos simples: o dinheiro foi diminuindo, e isso aumenta o medo de quem depende do sistema.
Amprev no governo Clécio: superávit e caixa maior
No caso da Amprev, na gestão Clécio Luís (2023–2025), os dados apontam o oposto: o caixa teria subido de R$ 6,4 bilhões (em 2023) para R$ 9,5 bilhões (em 2025).
Isso representa um crescimento de R$ 3,1 bilhões.
Há, sim, um problema citado: um prejuízo pontual de R$ 25 milhões, ligado a investimento no Banco Master (em liquidação). Mas, segundo os próprios dados apresentados:
- não houve “saque” de caixa como padrão;
- as aplicações são tratadas como regulares;
- teria existido lucro temporário antes da liquidação;
- e há expectativa de ressarcimento, com base em decisão judicial favorável e atuação do Banco Central.
Em linguagem direta: o sistema cresceu, e o episódio do banco aparece como uma perda localizada — não como um colapso das contas.
Por que essa comparação incomoda?
Porque, quando se coloca lado a lado, a diferença fica clara:
- Macapaprev: caixa encolheu muito e há CPI para investigar rombo e saques.
- Amprev: caixa aumentou e a gestão aparece como superavitária.
E é justamente aí que nasce a tensão: os defensores da prefeitura ficam sem argumento quando os números mostram que, enquanto a previdência municipal perdeu caixa, a estadual ampliou recursos. Para o cidadão, a pergunta é inevitável: por que o município foi para trás enquanto o estado avançou?
Conclusão
Previdência não é discurso: é saldo, transparência e segurança para quem trabalhou a vida toda. Se os dados estão corretos, a mensagem é simples: na Macapaprev o caixa derreteu; na Amprev houve superávit. E, diante disso, o que a população precisa não é briga — é resposta, investigação e responsabilidade com o dinheiro de quem se aposentou.