Em um movimento que tem gerado surpresa entre os munícipes, a base política do ex-prefeito Dr. Furlan, afastado por determinação do STF, parece ter despertado para os problemas crônicos da cidade. Vereadores e lideranças que até pouco tempo defendiam a gestão anterior agora percorrem os bairros e locais públicos e usam as tribunas para cobrar soluções urgentes para questões que, ironicamente, se iniciaram sob sua própria vigília.
Buracos nas ruas, falhas no atendimento de saúde e a precariedade de escolas — pautas de reclamação antigas da população — tornaram-se o novo cavalo de batalha da antiga situação. A narrativa é clara: tentar associar os problemas estruturais à imagem do prefeito interino, Pedro da Lua, acusando-o de inércia. “A cidade está parada, parece que não temos prefeito”, declarou um vereador da base furlanista em uma rede social.
Do outro lado, a equipe de Pedro da Lua classifica a ofensiva como “hipocrisia política”. Fontes internas da prefeitura afirmam que a nova gestão está, na verdade, “fazendo um milagre” para manter a máquina pública funcionando. O motivo seria a péssima herança financeira deixada pela administração de Dr. Furlan.
Segundo um relatório preliminar da nova equipe econômica, os cofres municipais foram encontrados com “rombos milionários”. A alegação é que gastos exorbitantes com grandes eventos, festas e projetos de fachada (“a capa”, como descreveu um secretário) consumiram recursos que deveriam ter sido destinados a áreas essenciais.
“Enquanto se gastava milhões em shows, encontramos um cenário de pessoas passando fome, com programas sociais desabastecidos e fornecedores da merenda escolar sem pagamento. É essa a realidade que eles [a antiga base] ajudaram a criar e agora tentam esconder”, desabafa uma fonte ligada ao gabinete do prefeito interino. E quem tentasse reclamar, era atacado com toda sua família pelas facções digitais que eles comandam até hoje.
Para a população que enfrenta os problemas no dia a dia, a súbita preocupação dos antigos governistas soa como uma manobra política. O grande desafio da gestão de Pedro da Lua será não apenas consertar os problemas estruturais e financeiros herdados, mas também comunicar à população a complexidade da “terra arrasada” que recebeu , em meio ao fogo cruzado de uma oposição que, até ontem, era situação.
Mas um milagre é certo:
-Agora, os tais “fiscais do povo”começaram a trabalhar de verdade…