Imagine a seguinte cena: você está caminhando por um shopping com sua família após um dia de trabalho. De repente, percebe olhares estranhos, sussurros e julgamentos mudos das pessoas ao redor. O ápice do constrangimento, no entanto, não vem de um desconhecido, mas da sua própria filha de apenas 12 anos. Com o celular nas mãos e a tristeza estampada no rosto, ela lhe mostra uma publicação na internet onde a sua honra, a sua cor e o seu afeto estão sendo arrastados na lama para o deleite de uma horda virtual.
Foi exatamente esta a violência brutal e covarde imposta a Josué, carinhosamente conhecido como Zulú, pela página de fofocas @ispia_amapa_. Um episódio que não deve apenas nos entristecer, mas provocar a mais profunda e absoluta indignação em qualquer cidadão que preserve um mínimo de decência.

O que a referida página fez não foi jornalismo, não foi humor e muito menos “liberdade de expressão”. Foi um ataque criminoso, deliberado e abjeto. E para entender a gravidade dessa atrocidade, é preciso olhar para os fatos que os administradores do perfil maliciosamente tentaram esconder.
Zulú cumpria agenda de trabalho no Recanto Sonho Meu, no bairro Amazonas — uma comunidade historicamente esquecida —, levando informações sobre melhorias locais. Ao seu lado estava o Prefeito de Macapá e seu amigo de longa data, Pedro da Lua. O que a câmera de celular capturou naquele momento não foi uma encenação política. Registrou um beijo no rosto, uma brincadeira, um instante genuíno de alegria, como de costume entre os dois.
O que a referida página fez não foi jornalismo, não foi humor e muito menos “liberdade de expressão”. Foi um ataque criminoso, deliberado e abjeto. E para entender a gravidade dessa atrocidade, é preciso olhar para os fatos que os administradores do perfil maliciosamente tentaram esconder.
Zulú cumpria agenda de trabalho no Recanto Sonho Meu, no bairro Amazonas — uma comunidade historicamente esquecida —, levando informações sobre melhorias locais. Ao seu lado estava o Prefeito de Macapá e seu amigo de longa data, Pedro da Lua. O que a câmera de celular capturou naquele momento não foi uma encenação política. Registrou um beijo no rosto, uma brincadeira, um instante genuíno de alegria, como de costume entre os dois.
A página @ispia_amapa_, com requintes de crueldade, omitiu o detalhe mais importante: Josué e o Prefeito da Lua não são meros colegas de prefeitura. São amigos de uma vida inteira, forjados nas lutas dos movimentos estudantis. São, acima de tudo, irmãos de fé. Aquele beijo era o afeto puro e fraternal entre dois velhos companheiros.
Mas para uma página desesperada por curtidas e engajamento, a pureza não dá lucro. O preconceito sim. O perfil sequestrou aquele momento íntimo de irmandade e o jogou no esgoto das redes sociais, temperando a publicação com insinuações racistas e homofóbicas. Ao fazer isso, a página não atacou apenas Zulú; atacou a ideia básica de que um homem negro pode expressar carinho por um amigo sem ser ridicularizado e objetificado pela lente do preconceito estrutural.
É asqueroso perceber que, em pleno século XXI, existam plataformas dispostas a lucrar com esse tipo de coisa, operando sob a falsa blindagem da internet. O relato em áudio de Josué é um soco no estômago de nossa sociedade. Ele nos lembra que o linchamento digital sangra no mundo real. Sangrou nos olhares tortos no shopping. Sangrou na tristeza de uma criança de 12 anos que teve que assistir à humilhação pública do próprio pai.
Como bem definiu Zulú em seu desabafo indignado: “O Amapá não é um estado racista, mas tem pessoas racistas”. E esses racistas estão aí, administrando páginas de Instagram, travestidos de comunicadores, destruindo saúdes mentais e reputações com o clique de um botão.
SOMOS INVESTIGADORES
Mas a covardia ganha contornos ainda mais espúrios e revela suas reais intenções quando as máscaras caem. Nós fomos investigar quem realmente opera essa engrenagem de ódio. O cruzamento de dados nos levou a uma constatação revoltante: o dono da página @ispia_amapa_ tem o telefone com final ***37, e o email de recuperação de senha, com início “f”**** e final “s”@gmail.com.

A Página com produção anônima, é defensora fervorosa do ex-prefeito afastado pelo STF Furlan.
O que há de “fabuloso” em se esconder covardemente atrás de um perfil para destilar racismo, homofobia e destruir o dia de uma menina de 12 anos? Nada. O ataque contra Zulú deixa claro que o linchamento não foi obra do acaso. Foi uma agressão meticulosamente calculada, uma retaliação política rasteira que utilizou o preconceito estrutural como arma pelos viúvos de uma gestão enlameada por escândalos. É o mais absoluto fundo do poço da moralidade.

Essa linha editorial de ataques escancara a verdadeira índole de quem atua para blindar aqueles que saquearam Macapá. É revoltante, mas nada surpreendente. O ataque a um aliado direto do atual gestor espelha a baixeza do mesmo grupo político acusado de roubar a merenda das nossas crianças e que teve a crueldade de deixar pais e mães de família meses e meses sem receber seus salários suados. A mesma laia que, afundada no autoritarismo, distribuía ameaças e tentava calar qualquer cidadão ou servidor que ousasse ir à mídia falar as verdades ou reivindicar seus direitos básicos.

Não podemos tolerar que esse crime seja esquecido amanhã, engolido pela próxima fofoca do algoritmo. A indignação da sociedade amapaense precisa ser ensurdecedora. Zulú já avisou: vai buscar a Justiça até o fim, pois seus direitos foram “conquistados com muito sangue e à força”. Ele não está, como fez questão de frisar, indo para a igreja sozinho — ele está se levantando para lutar.
E nós devemos nos levantar com ele. O Ministério Público, a Polícia Civil e o Judiciário do Amapá têm o dever moral e institucional de agir com rigor implacável. Perfis como o @ispia_amapa_ e figuras como seu proprietário precisam responder criminalmente e financeiramente por cada lágrima que causaram àquela criança e por cada olhar de julgamento imposto a um pai de família. Se a sociedade silenciar diante de tamanha covardia, estaremos assinando embaixo do racismo e confessando que nossa humanidade fracassou.