Se existisse uma Olimpíada para a modalidade “escapada jurídica”, o ex-prefeito Antônio Furlan (PSD) não seria apenas medalhista de ouro; ele já teria o direito de pedir música no Fantástico. Afastado do cargo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), o nobre “Doutor” parece acreditar que as leis e os tribunais do Amapá funcionam no ritmo do seu próprio relógio biológico e político.
O último capítulo desse deboche com a cara do cidadão amapaense aconteceu ontem no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AP). Prestes a ter o recurso julgado — aquele que pode, finalmente, carimbar sua inelegibilidade por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2024 —, a defesa do ex-prefeito sacou do colete a mais manjada das estratégias: o atestado médico. Ela só esqueceu que não podia postar nada no dia da audiência e postou horas antes da audiência começar e de outro Estado, muito bem obrigada com a filha.

O atestado da advogada responsável pela sustentação oral foi protocolado sob segredo de justiça. Isso mesmo. Um “atestado sigiloso”. O Ministério Público Eleitoral ficou do lado de fora, tentando adivinhar se a doutora contraiu uma virose tropical ou se foi apenas uma crise alérgica aguda ao veredicto que se aproximava. É de uma audácia que beira o inacreditável.
O deboche tem data de validade
Enquanto o cidadão comum de Macapá acorda cedo, enfrenta o medidor abusivo da CEA Equatorial e trabalha duro para pagar as contas, o grupo político do ex-prefeito opera na base do “se colar, colou”. A tática é clara, cristalina e vergonhosa: empurrar o julgamento com a barriga até que ele perca o efeito para as eleições de 2026. Furlan quer arrastar o processo até que o calendário eleitoral expire, fazendo com que a Justiça vire mera espectadora de sua prepotência.
A procuradora regional eleitoral, Sarah Cavalcanti, verbalizou o que todo amapaense com um pingo de dignidade está sentindo: indignação. O adiamento compromete a própria razão de existir da Justiça Eleitoral. Trata-se de um verdadeiro insulto à inteligência do eleitor.
O xeque-mate no teatro
Para a infelicidade dos encenadores de plantão, o desembargador Rommel Araújo resolveu cortar as asas do teatro. O magistrado deu o prazo de 48 horas para o escritório de Furlan arrumar outro advogado entre a dinastia de profissionais que eles possuem. Se não acharem ninguém em dois dias, o TRE vai colocar a Defensoria Pública da União no caso. Ou seja: o choro é livre, mas o dia 22 de julho está mantido.
O afastamento determinado pelo STF já deveria ter sido suficiente para demonstrar que Macapá não é o quintal particular de Furlan. Essa insistência em travar o andamento da Justiça com manobras de quinta categoria é a prova definitiva de que o respeito pelas instituições passou longe daquela gestão.
Enquanto isso, ele e sua “digníssima” esposa, ex-primeira-dama de Macapá e pré-candidata ao Senado pelo Podemos, que está envolvida em uma investigação da Polícia Federal (Operação Paroxismo) que apura desvios em uma licitação de R$ 69 milhões para a construção de um hospital municipal, com depósitos suspeitos ligados a uma clínica de sua responsabilidade e movimentações fracionadas que somariam mais de R$ 3 milhões, seguem nas redes em total vitimismo e deboche.

Ex-Prefeito afastado postando foto com aparelho na garganta em uma sessão de fono.
Resta saber até quando a população vai aceitar assistir a esse espetáculo de cara de pau com um sorriso amarelo no rosto. O dia 22 de julho está chegando, e o estoque de desculpas médicas da defesa parece estar chegando ao fim. Já vai tarde.