Por trás do sorriso ensaiado de quem almeja o Palácio do Setentrião, esconde-se a dura realidade de uma Macapá no vermelho. O ex-prefeito abandona o barco encurralado por investigações e deixa milhares de famílias à própria sorte.

A recente renúncia de Dr. Furlan à Prefeitura de Macapá não é o passo grandioso que tem como hiper foco o Governo do Amapá, como sua engrenagem de equipe de marketing tenta desesperadamente vender. É, na verdade, a fuga calculada de um político encurralado, que pula do barco antes que ele afunde completamente, deixando para trás um município financeiramente quebrado e administrativamente colapsado.
Afastado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sob a sombra da Operação Paroxismo da Polícia Federal — que apura graves indícios de desvio de recursos federais na Saúde e na construção do Hospital Geral Municipal —, Furlan viu seu cerco fechar. Usar o prazo de desincompatibilização eleitoral de 2026 para oficializar sua saída foi apenas uma manobra cínica para tentar “sair por cima”. Uma cortina de fumaça para não admitir que a casa caiu.

Mas enquanto o ex-prefeito tenta limpar sua imagem para a corrida estadual, quem paga a conta dessa ambição desmedida?
A resposta está nas ruas esburacadas, nos postos sem insumos e na realidade de milhares de famílias em Macapá e em distritos como o Bailique, Fazendinha e Coração. A gestão que prometia “cuidar das pessoas” entregou, na prática, os cofres do município raspados e o povo, roubado, começa a ficar incrédulo, com as mãos pra cima se perguntando:
– O que aconteceu? É isso mesmo?
Não há dinheiro em caixa, não houve planejamento sustentável como o que ele pegou a Prefeitura em 2021, das mãos do agora Governador Clécio Luís e não há respostas para as pendências deixadas.

Essa herança de dívidas e cofres vazios tem um custo humano altíssimo. As vítimas não são números em planilhas financeiras, são pessoas reais. São os moradores das periferias e dos distritos que dependem exclusivamente da saúde pública — justamente o setor manchado por suspeitas de corrupção. São trabalhadores, mães de família e idosos que realmente precisam do amparo do município, mas que agora se deparam com portas fechadas e serviços paralisados.
O aspecto mais cruel dessa renúncia, no entanto, é o cinismo. Ao vestir ininterruptamente a máscara de “bom moço” e de político imaculado nas redes sociais, Furlan essencialmente ri da cara dessas famílias. Ele debocha da angústia de quem não tem remédio no posto de saúde enquanto posa para fotos sorridentes projetando seu futuro político. Usa a cidade como um mero trampolim descartável: pisou, subiu e, quando as investigações federais bateram à porta e os recursos secaram, simplesmente virou as costas e saiu de fininho, acenando para todos.
Macapá não pode sofrer de amnésia. A tentativa de forjar uma saída triunfal não apaga o rastro de destruição financeira deixado na prefeitura, nem diminui o prejuízo causado a milhares de amapaenses. A renúncia não é um ato de coragem, mas a confissão silenciosa de quem prefere sacrificar a cidade inteira a perder seu projeto de poder. O “bom moço”, ao fim, cobrou um preço alto demais: a dignidade do povo macapaense.