Contemplemos a tragédia, em versão amazônica, do Dr. Furlan. Afastado pelo STF, muitos apontam seus supostos crimes como a causa da queda. Tolice. O verdadeiro, o imperdoável pecado do doutor não foi apenas se misturar com os porcos mais ruidosos da pocilga de Macapá. Foi usá-los como marionetes, acreditando que poderia reger o caos sem que a batuta lhe escapasse das mãos.

Jonatas que se entitula “Fabuloso”, é um dos principais cabos eleitorais do Ex-prefeito afastado pelo STF.
A construção do “personagem” Dr. Furlan foi uma arte mal feita. O messias de jaleco branco, o doutor que “cuidava das pessoas”. Pura magia. Puro marketing. Enquanto o personagem sorria para as câmeras, a cidade recebia sua dose de maquiagem para esconder as rachaduras no reboco e, sussurram as más línguas, nos cofres públicos. O trabalhador aplaudia o circo, sem saber que o ingresso era o seu próprio futuro.
Mas um espetáculo dessa magnitude precisa de assistentes de palco. E aqui reside criatura perversa da estratégia. O mestre de marionetes não busca sócios, busca peões descartáveis. É o palco perfeito para figuras como o “Baguloso” e tantos outros. A regra é clara: dê a eles um microfone, alguns trocados e a ilusão de que são importantes. Use-os para cometer os crimes, para espalhar o veneno, para serem os para-raios da operação.
Eles, os bestas, inflam o peito. Sentem-se parte de algo grande. Atacam, difamam, operam o esquema sujo com um sorriso no rosto, sonhando com um lugar mais perto do cocho principal. Mal sabem eles que, no roteiro do Doutor, seu papel é o de “bucha de canhão”. São a linha de frente descartável, projetada para cair primeiro e sujar as mãos enquanto o chefe assiste de camarote, fingindo-se chocado com a “conduta imprópria” de seus subordinados.

No final, o resultado é sempre o mesmo. A peça desmorona, a maquiagem escorre e os peões, que se achavam jogadores, descobrem que eram apenas a aposta. E enquanto o mestre tenta se limpar para o próximo ato, os bestas vão ficando cada vez mais ferrados, descobrindo da pior forma que, na fábula do poder, quem aceita o papel de porco, invariavelmente, termina na lama ou no abatedouro.