Apaguem as luzes da redação, calem o barulho frenético das teclas, fechem os microfones. Ainda assim, restará o silêncio grávido de palavras que desafiam o esquecimento. Porque a verdade é uma só, e precisa ser dita com o peito aberto: jornalista nunca morre.
A biologia pode até reivindicar o corpo, a rotina exaustiva pode cansar os olhos, mas a essência de quem escolheu contar o mundo permanece intocada. O jornalista não deixa este plano; ele muda de endereço. Passa a morar definitivamente nas entrelinhas de suas matérias, no ritmo de suas grandes reportagens, no eco de uma denúncia que mudou o destino de uma comunidade.
Olhe bem para aquela grande matéria guardada no arquivo, para aquele parágrafo cirúrgico que desmascarou o poder, ou para aquela crônica sensível que arrancou lágrimas em um domingo de manhã. O jornalista está ali. Vivo. Pulsando em cada vírgula, respirando no espaço entre as palavras, vibrando no impacto que a sua busca obstinada pela verdade causou no peito de quem leu.
Nossa profissão não é um emprego; é um pacto com a eternidade. Quando todos correm do perigo, nós corremos em direção a ele, munidos apenas de um bloco, uma caneta, uma câmera e uma obsessão quase divina de não deixar o mundo no escuro. E esse tipo de entrega não se apaga com um sopro de vento.
Os tiranos passam, os impérios desmoronam, a poeira da história cobre os nomes daqueles que tentaram calar a voz do tempo. Mas a palavra escrita, a verdade documentada, o testemunho ocular da história… esses são imortais.
Portanto, não choremos o fim de um jornalista como quem chora uma ausência definitiva. Cada texto assinado é uma certidão de imortalidade. Enquanto houver alguém tocado por uma história que foi trazida à luz, enquanto uma única linha escrita por suas mãos continuar a fazer o mundo pensar, chorar ou se indignar, esse jornalista estará de plantão.
Eles não partem. Ficam eternizados na memória coletiva, transformados em tinta, voz e coragem. Para quem viveu para contar a história, o ponto final nunca é o fim — é apenas a deixa para a próxima página.
Vá em paz, grande menezes!