Em março de 2026, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou o afastamento do prefeito Antônio Paulo de Oliveira Furlan — o “Dr. Furlan” (PSD) — e do vice Mário Rocha de Matos Neto, por 60 dias. O motivo: suspeita de desvio de emendas parlamentares federais destinadas à construção do Hospital Municipal de Macapá, orçado em R$ 69 milhões. No dia seguinte à decisão, Furlan renunciou ao cargo para tentar evitar a cassação do mandato.
A “milícia digital” de R$ 25 milhões
Dois meses depois, em 26 de maio de 2026, a PF deflagrou a Operação Palanque Digital, mirando um esquema que, segundo a investigação, funcionava havia quatro anos dentro da própria Prefeitura de Macapá.
De acordo com os investigadores, mais de R$ 25 milhões de verbas destinadas à publicidade institucional do município foram desviados de sua finalidade para financiar:
- Influenciadores digitais
- Blogs, rádios e portais de notícia
- Perfis considerados falsos ou artificiais
- Produção de imagens, vídeos e áudios manipulados por inteligência artificial — incluindo deepfakes
O objetivo, segundo a PF: promover a imagem de Furlan e de sua esposa e atacar sistematicamente adversários políticos e principalmente, manter Furlan imune de qualquer escândalo ou notícia de corrupção. Dando a impressão que ele não fazia nada de errado na Prefeitura e Maquiando seus desvios e crimes contra o dinheiro do povo.
Como a estrutura teria funcionado
A investigação descreve uma hierarquia organizada:
- Núcleo estratégico — definia narrativas, escolhia quais adversários seriam atacados e orientava as campanhas.
- Contratos oficiais — via Secretaria Municipal de Comunicação e agências de publicidade contratadas pela prefeitura, usados como canal para movimentar o dinheiro.
- Rede de execução — pessoas ligadas ao esquema teriam sido nomeadas em cargos em diversas secretarias como forma de pagamento pelas divulgações irregulares.
O dia da operação
Foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão em Macapá (AP), Belém (PA) e Canela (RS), contra políticos, influenciadores, jornalistas, ex-secretários de governo e uma agência de publicidade com seus sócios.
O saldo da ação:
- 2 prisões em flagrante por posse ilegal de arma de fogo
- ~R$ 72 mil em espécie apreendidos
- 4 armas de fogo e 7 veículos recolhidos
- Bloqueio de bens de investigados
- Suspensão de perfis em redes sociais ligados ao esquema
Balanço da operação
Principais nomes investigados até agora
- Dr. Furlan (PSD) — ex-prefeito, alvo central, pré-candidato a governador do AP
- Mario Rocha de Matos Neto — ex-vice-prefeito, também afastado.

- Juarez Menescal — ex-secretário municipal, preso em flagrante com arma de fogo durante a operação.

- Erica Aranha de Sousa Aymoré — ex-secretária de Saúde, afastada na fase anterior (Hospital de Macapá).

- Walmiglisson Ribeiro da Silva — integrante da Comissão de Licitação, também afastado.

- Além de vários outros nomes citados e que estão sendo investigados

Resta saber se a Justiça brasileira vai, de fato, levar as investigações às últimas consequências ou se o caso seguirá o roteiro comum de tantos escândalos políticos no país: muita repercussão inicial, prisões pontuais de nomes de segundo escalão, e o desfecho se arrastando em recursos, prescrições e negociações até perder força perante a opinião pública. Enquanto isso, o principal beneficiário apontado pela investigação segue politicamente ativo e pré-candidato ao governo do Amapá.