As investigações da Polícia Federal (PF) e da Polícia Civil do Amapá lançaram luz sobre as graves e complexas alegações que conectam o ex-prefeito de Macapá, Dr. Antônio Furlan (PSD), à atuação de facções criminosas no Amapá. No centro dessa crise político-jurídica está o depoimento e as delações de Luanderson de Oliveira Alves, conhecido como “Caçula” — ex-candidato a suplente “cassado” de vereador nas eleições municipais apoiado por Furlan.
Em escutas e depoimentos obtidos em investigações como a Operação Herodes e desdobramentos de ações de combate ao crime organizado, foram apontados indícios do envolvimento direto da alta cúpula da gestão municipal na negociação de acordos de conivência e apoio eleitoral em áreas dominadas pelo crime organizado.
O Pivot do Escândalo: Quem é “Caçula” e como operava a aliança

Luanderson Alves, o “Caçula”, emergiu na política local amparado pelo capital político do ex-prefeito Furlan. Apontado como o elo de ligação entre a gestão municipal e as lideranças de facções criminosas como a Família Terror do Amapá (FTA), Caçula atuava em áreas periféricas sensíveis de Macapá, com destaque para grandes conjuntos habitacionais como o Macapaba.
Segundo escutas interceptadas pela Polícia Federal e matérias investigativas de circulação nacional, o modus operandi da aliança consistia em:
- Coação Eleitoral e Curral Eleitoral do Crime: O grupo criminoso intimidava e chantageava moradores dos habitacionais com ameaças de expulsão das moradias caso não votassem nos candidatos apoiados pela estrutura ligada à gestão.
- Aproximação Direta: Registros de comunicações e depoimentos apontam que o incentivo para a candidatura de Caçula partiu de articulações da gestão de Furlan para garantir capilaridade e domínio de votos nas áreas controladas pelo crime organizado.
- Acordos de Bastidores: Nas declarações e gravações colhidas, aponta-se que a interlocução e as tratativas de apoio eleitoral não se limitavam a intermediários, mas eram de conhecimento direto do próprio ex-prefeito para assegurar votações expressivas na capital.
Impacto Político e o Cenário do Ex-Prefeito

Eu presenciei ele “Dr Furlan”fazendo acordo com o crime organizado – Disse Caçula em delação
Dr. Furlan — que havia sido reeleito com uma expressiva margem de votos em 2024 e renunciou ao mandato em março de 2026 para disputar o Governo do Estado do Amapá — passa pelo momento de maior fragilidade de sua carreira política.
- Acréscimo ao Passivo Jurídico: O escândalo das facções junta-se a outras investigações pesadas conduzidas pela PF contra a sua antiga administração, como a Operação Paroxismo (que apura desvios na saúde e nas obras do Hospital Municipal) e a operação sobre o uso de milícias digitais para blindagem e ataques a adversários.
- Debate sobre Segurança Pública: O tema tornou-se o calcanhar de Aquiles da pré-candidatura de Furlan. Adversários políticos e analistas destacam que o Plano de Governo registrado por seu partido omite propostas concretas de combate às organizações criminosas, justamente no momento em que vêm à tona denúncias de que o grupo político se beneficiava das áreas sob controle dessas mesmas facções.
O Lado da Defesa
Em nota e manifestações públicas, a defesa e a assessoria do ex-prefeito Dr. Antônio Furlan negam ( o que as imagens e delações comprovam) veementemente qualquer ligação com o crime organizado ou com acertos com facções. Sustentam que Furlan jamais compactuou com ações ilícitas, atribuindo as acusações a manobras da oposição para desestabilizar sua pré-candidatura ao governo do estado. A defesa alega ainda confiança nas instituições de Justiça para demonstrar a ausência de responsabilidade criminal.
Do ponto de vista analítico, o vazamento e os desdobramentos da delação de Caçula transformaram as eleições de 2026 no Amapá em um tabuleiro de altíssima tensão. A hipótese de infiltração do crime organizado na política amapaense, mediante assédio ao eleitor vulnerável e barganha institucional, coloca o Ministério Público Eleitoral, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e a Polícia Federal em estado de alerta máximo. Para Dr. Furlan, o desafio não é apenas jurídico, mas político: conter o desgaste de imagem em uma campanha onde a pauta de combate às facções tornou-se incontornável.