As declarações de Dr. Furlan sobre o Amapá misturam problemas reais, números que precisam de contexto e acusações que não estão comprovadas. O contraste com dados publicados enfraquece a ideia de que todas as dificuldades do estado podem ser atribuídas a um único governo — mas também não permite dizer, com rigor, que todas as críticas sejam falsas.
Na disputa pelo Governo do Amapá, Dr. Furlan apresenta um diagnóstico duro da administração estadual. Uma checagem das afirmações, porém, mostra um quadro menos simples do que o discurso de campanha sugere: há problemas documentados, mas também generalizações e conclusões que não decorrem automaticamente dos dados.
Violência: número preocupante, mas com contexto

O Amapá aparece, sim, entre os estados com maior violência. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública registrou taxa de 45,1 mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes em 2024, a maior do país naquele levantamento. Mas o mesmo anuário apontou uma queda de 30% nas mortes em relação a 2023. Portanto, apresentar o estado como o mais violento sem mencionar a redução omite parte importante do retrato.
Isso não apaga a gravidade do problema. Mostra, contudo, que o dado precisa ser usado com precisão — e não como prova automática de que nada foi feito ou de que uma gestão, sozinha, explica a situação. (Folha, com dados do Anuário)
Migração: há amapaenses morando fora, mas o saldo também importa

O número de pessoas nascidas no Amapá que vivem em outros estados aumentou entre os Censos de 2010 e 2022. Isso merece atenção. Mas os dados citados pelo IBGE também mostram que, em 2022, havia 185,1 mil pessoas nascidas fora do Amapá morando no estado, diante de 74,2 mil amapaenses vivendo em outras unidades da Federação. O saldo migratório apresentado nessa comparação continuava positivo para o Amapá.
Além disso, a estimativa do IBGE apontou crescimento de 0,5% da população estadual entre 2024 e 2025. Esses números não provam que ninguém esteja saindo em busca de trabalho; mostram que a afirmação de que o estado estaria simplesmente “perdendo moradores” é incompleta. (Diário do Amapá, com dados do IBGE; G1, estimativa do IBGE para 2025)
BR-156: a obra está atrasada, mas é uma rodovia federal
A situação da BR-156 é um problema concreto e antigo. Há trechos sem pavimentação, e acidentes e dificuldades de deslocamento são motivo legítimo de cobrança. O que precisa ser esclarecido é a atribuição de responsabilidade: a rodovia é federal, e as obras e licitações divulgadas estão sob atuação do DNIT, com recursos do Novo PAC e participação do Exército em determinados trechos.
Em dezembro de 2025, o DNIT informou que três dos cinco lotes estavam licitados e que pretendia colocar os lotes restantes em obras em 2026. Também divulgou a conclusão de novos quilômetros pavimentados no trecho sul. Isso não significa que a estrada esteja resolvida — está longe disso. Mas atribuir todo o atraso exclusivamente ao governo estadual não corresponde ao papel formal do órgão responsável pela rodovia. (G1 sobre o cronograma do DNIT; DNIT sobre obras no trecho sul)

Comunicação: os valores divulgados não são iguais
Furlan menciona R$ 54 milhões em gastos de comunicação em 2025. Uma publicação local baseada em dados de execução orçamentária informou R$ 46,5 milhões para a Secretaria de Comunicação naquele ano. Já notícias anteriores trataram de valores previstos em orçamento ou de contratos, que não são necessariamente a mesma coisa que despesa efetivamente paga.
O Furlan ainda não explicou foi por que estava sustentando uma Milícia Digital com dinheiro público. Além disso, por que no site da transparência da sua gestão, não tinha nenhum real de prestação de conta com a população de quanto e como ele investia o dinheiro das pessoas de Macapá.
Saúde e Hospital São Camilo: conflito real, versões diferentes
A disputa envolvendo o Hospital São Camilo também não cabe numa frase de campanha. Em outubro de 2025, a instituição suspendeu atendimentos do SUS e alegou uma dívida de R$ 98,7 milhões. O governo contestou o valor total e informou reconhecer R$ 47,7 milhões; a Justiça determinou a retomada dos serviços enquanto o caso era discutido.

A verdade é que Furlan briga em causa própria já que algumas empresas que recebiam do Governo do Amapá, beneficiavam ele mesmo já que é dono de empresas particulares de saúde no Estado.
A dívida foi negociada várias vezes e ele mesmo boicotou todas elas.
Além disso, o motivo do seu afastamento está logo abaixo:

Amprev e Banco Master
A previdência estadual investiu R$ 300 milhões no Banco Master e que cerca de R$ 80 milhões já foram recuperados. Disse que o investimento foi feito em uma aplicação “sênior”, que espera recuperar o restante e que o Banco Master constava na lista de instituições autorizadas pelo Banco Central.

Ele também alegou que o investimento não ameaça o pagamento das aposentadorias: segundo ele, o patrimônio da previdência cresceu de R$ 6,4 bilhões para R$ 9,57 bilhões, e os recursos garantiriam os pagamentos até 2063. Essas são declarações feitas na entrevista; os anexos não trazem verificação independente dos valores ou da previsão de recuperação.
Já a MacapáPrev… Anda ruim das pernas pois o Furlan gastou todo dinheiro de lá em festa e praça.

Educação: desempenho baixo, mas a afirmação sobre o “último lugar” precisa de recorte
O Ideb 2023 mostra dificuldades importantes: o Amapá teve nota 5,0 nos anos iniciais do ensino fundamental, 4,3 nos anos finais e 3,8 no ensino médio. A nota dos anos iniciais foi a menor do país. Já no ensino médio, o estado não aparece isolado em último lugar: outros estados tiveram resultado igual ou inferior, dependendo da comparação.
A administração municipal de Macapá, sob Dr. Furlan, deveria prestar contas pelo desempenho das escolas da rede que administra e apresentar medidas concretas para melhorar a aprendizagem. Como os números citados são estaduais, porém, a cobrança precisa ser acompanhada dos dados específicos de Macapá — eles é que permitem avaliar com precisão a responsabilidade da prefeitura.
Juventude: há cursos em andamento, mas isso não resolve toda a questão
A afirmação de que os jovens não recebem qualificação não combina com publicações sobre o Novo Amapá Jovem. Em 2025, foram anunciados 43 cursos para cerca de 3,4 mil beneficiários em Macapá e Santana; outra iniciativa com o Sebrae certificou 103 pessoas.
Essas ações não provam que a oferta seja suficiente nem que prepare todos os jovens para as oportunidades de petróleo e gás. Mas contradizem a ideia absoluta de que não há cursos ou iniciativas de qualificação. (Diário do Amapá sobre os 43 cursos; Amazônia Brasil Rádio Web sobre a parceria com o Sebrae)
Déficit, dívida e operação de crédito: conceitos diferentes
Uma operação de crédito de R$ 1 bilhão foi proposta em 2024 para financiar áreas como saúde, educação, segurança e infraestrutura. Isso não é, por si só, prova de um déficit de igual valor: empréstimo autorizado e rombo ( que aconteceu em várias vertentes de Macapá, sob administração de Furlan) nas contas são conceitos diferentes.




Uma candidatura precisa mais do que slogans
Sendo assim, o Ex-Prefeito afastado pelo STF MENTIU, em toda sua entrevista ao programa na tarde desta sexta feira. Críticas incompletas misturam-se em categorias diferentes ou não aparecem comprovadas nas publicações consultadas acima.
A questão central para o eleitor é outra: um candidato que acusa precisa apresentar números verificáveis, fontes e contexto — e não apenas transformar problemas complexos em frases de efeito. Cobrar explicações do governo é legítimo. Mas uma proposta de governo precisa mostrar como cada problema será resolvido, quanto custará e quem tem responsabilidade por ele. Sem isso, a crítica pode soar mais como estratégia eleitoral do que como plano para o Amapá.