Em MACAPÁ — A corrida eleitoral ganhou novos contornos de teatro do absurdo nesta semana, protagonizada pelo prefeito Dr. Furlan. Em um movimento que escancara a aversão a contrapontos reais, o chefe do Executivo municipal optou por faltar ao debate da TV Record — compromisso formalmente assumido e assinado por sua equipe — para buscar refúgio em emissoras de rádio de linha auxiliar.
Enquanto os demais candidatos debatiam propostas e confrontavam ideias no debate oficial da emissora (notadamente simpática aos seus interesses), Furlan preferiu o conforto da Rádio Bola e da Original, que se atrapalhava todinha para fazer todas as perguntas formuladas pela própria equipe do Ex-Prefeito afastado pelo STF. O episódio não apenas demonstrou o claro desprestígio do prefeito para com a organização do evento e o apresentador Luiz Eduardo, mas também evidenciou o que críticos já apontam como um padrão de comportamento: a fuga sistemática de qualquer cenário onde não haja controle absoluto das regras.
O teatro das perguntas encomendadas
O ápice do espetáculo ocorreu durante sua passagem pela rádio, onde o roteiro da entrevista parece ter escapado do controle de qualidade. Informações de bastidores apontam que a própria equipe de Furlan elaborou as perguntas que seriam feitas a ele.
Contudo, a execução deixou a desejar: a entrevistadora enfrentou evidente dificuldade para ler o material redigido pela assessoria do prefeito, quase travando ao vivo diante das questões encomendadas. A cena constrangedora reforçou a tese de que o gestor só aceita entrar em campo se o juiz for da casa, as perguntas forem entregues com gabarito antecipado e os adversários forem substituídos por leitores de teleprompter.
O paradoxo da Macaprev
Para coroar a maratona de declarações longe do escrutínio público, Furlan ainda encontrou espaço para discursar sobre a Amprev. A investida gerou revolta nos bastidores políticos, visto que o histórico da gestão municipal na área previdenciária é marcado por questionamentos severos e pelo rombo bilionário acumulado na Macaprev — estimado em cerca de meio bilhão de reais —, fato que desqualifica qualquer tentativa do prefeito de posar como salvador ou especialista no tema.
Entre faltas a compromissos oficiais, entrevistas com roteiro pronto e bravatas sobre finanças públicas que sua própria administração desestruturou, Furlan consolida a imagem de um gestor que prefere o palco seguro dos aliados à arena democrática do debate.