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Demora e julgamentos e sessões, faz candidatiura de Furlan derreter e o povo não acredita mais nas pesquisas falsas que sua equipe tenta pregar
A corrida pelo governo do Amapá ganhou um enredo digno de thriller político. Antônio Furlan (PSD), o “Dr. Furlan”, ex-prefeito de Macapá afastado pelo STF, tenta manter viva uma candidatura que pode ser derrubada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a qualquer momento. E o tempo está se esgotando: restam apenas quatro sessões da Corte antes da eleição de outubro.
Como tudo começou: a renúncia suspeita
Em março, o Supremo Tribunal Federal determinou o afastamento cautelar de Furlan da Prefeitura de Macapá, em investigação sobre fraude em licitações para construção de um hospital. A resposta foi rápida: no dia seguinte, ele renunciou ao cargo.
O detalhe que muda tudo: um dia antes da renúncia, já havia sido protocolada na Câmara Municipal uma representação capaz de abrir processo de cassação contra ele. Para o Ministério Público Eleitoral, a sequência não é coincidência — é estratégia. A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) chama isso pelo nome que a lei prevê: fraude à Lei da Ficha Limpa.
A Lei Complementar 64/1990 é clara: quem renuncia depois de ser alvo de uma denúncia que poderia levar à cassação não escapa da inelegibilidade só porque saiu do cargo antes do julgamento. Essa é a tese que a PGE levou ao TSE, pedindo que os ministros revertam a decisão do TRE-AP, que havia liberado a candidatura.
A milícia digital: R$ 25 milhões em jogo
Enquanto esse processo tramita, outra bomba explodiu no colo do ex-prefeito. A Polícia Federal deflagrou a Operação Palanque Digital, apurando um esquema que teria desviado R$ 25 milhões dos cofres públicos para financiar influenciadores, veículos de comunicação e conteúdos manipulados — incluindo uso de inteligência artificial para criar deepfakes contra adversários.
Não se trata mais de uma discussão técnica sobre prazos. É um caso que envolve dinheiro público, desinformação organizada e ataque coordenado a rivais.
A bomba mais recente: facções criminosas dentro da prefeitura
E o pacote de acusações ficou ainda mais grave nos últimos dias. Segundo reportagem da CNN Brasil, com base em investigação da Polícia Civil do Amapá, a Prefeitura de Macapá empregou ao menos 12 pessoas apontadas como integrantes de facções criminosas entre 2021 e 2026 — justamente durante a gestão de Furlan.
De acordo com fonte ligada à apuração:
- 11 contratados seriam da Família Terror do Amapá (FTA), ligada ao PCC;
- 1 pessoa teria vínculo com o Comando Vermelho;
- a maioria também tem relação com o tráfico de drogas.
A Polícia Civil foi direta: “a presença de criminosos na folha de pagamento do município não foi fruto de falha burocrática”. A leitura é grave — uma engrenagem que teria transformado contracheques públicos em moeda de troca por currais eleitorais. Furlan nega qualquer relação com organizações criminosas e diz ser alvo de perseguição política.
Três frentes, um só destino: o TSE
O que começou como uma discussão jurídica sobre prazos de renúncia se transformou, em poucos meses, num dossiê que envolve:
- Fraude eleitoral — renúncia usada para escapar da inelegibilidade;
- Desvio de R$ 25 milhões — para financiar milícia digital e deepfakes;
- Infiltração de facções criminosas — dentro da própria estrutura municipal.
E é o TSE, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, quem decide se essa candidatura segue viva. O parecer da PGE já é desfavorável a Furlan.
O relógio que não perdoa
Aqui está o dado que muda tudo: faltam apenas quatro sessões do TSE antes da eleição. Isso significa que, em qualquer uma delas, o tribunal pode encerrar — ou não — a disputa de Furlan. E essa proximidade transforma a situação numa armadilha:
- Se o TSE decidir tarde demais, e a resposta for pela inelegibilidade, não haverá tempo para o partido lançar um substituto competitivo.
- Enquanto o processo não é julgado, a campanha segue gastando fundo eleitoral e mobilizando aliados — recursos que podem virar pó se a Corte confirmar a fraude.
- O eleitor, sem saber se o voto vai “valer” no fim das contas, tende a hesitar — e hesitação em política se traduz em queda nas pesquisas.
“Já ganhei” antes da hora?
Nos bastidores, a confiança da campanha de Furlan é grande — como se a vitória já estivesse garantida. Mas essa comemoração antecipada ignora um detalhe incômodo: um parecer robusto da PGE, uma investigação da PF sobre desvio milionário e agora uma apuração da Polícia Civil ligando a gestão a facções como FTA, PCC e Comando Vermelho.
É o retrato perfeito de quem nada, nada… e corre o risco de morrer na praia: percorrer toda a campanha, gastar todo o recurso, mobilizar toda a militância — para descobrir, faltando poucos dias para a eleição, que nada daquilo vale a pena porque o nome pode nem ser validado nas urnas.
O que está em jogo
Para o eleitor amapaense, a pergunta é direta: vale a pena depositar o voto em um candidato envolto simultaneamente em fraude eleitoral, desvio de recursos públicos e ligação com o crime organizado?
Para o PSD e os aliados de Furlan, a pergunta é ainda mais urgente: há tempo de reagir se o TSE decidir contra ele faltando poucos dias para a eleição?
A resposta para ambas pode ser não. E é essa incerteza — mais do que qualquer discurso de campanha — que hoje define o verdadeiro tamanho do risco em torno da candidatura de Antônio Furlan ao governo do Amapá.