Dr. Furlan não é apenas um ex-prefeito buscando o governo do Amapá — ele é hoje um dos políticos mais investigados do estado, com seis frentes jurídicas abertas simultaneamente. E isso não é coincidência nem “perseguição política” pura: são fatos concretos, com provas materiais, apuradas por instituições diferentes (PF, STF, MPE, TRE-AP e TSE).
Vamos direto ao que importa:
Furlan foi afastado da prefeitura pelo STF por suspeita de fraude em licitação e desvio ( primeiramente) de R$ 128,9 milhões em emendas parlamentares destinadas a um hospital.
Antes disso, porém, existe um ponto crucial: Furlan foi alvo de uma representação na Câmara Municipal sobre o Mata-leão onde ele agrediu duas pessoas da imprensa que quando foi perguntado sobre o superfaturamento das obras do hospital — foi formalmente cientificado do processo, apresentou sua defesa e, só depois de aberto esse processo, renunciou ao cargo para poder concorrer ao governo do estado.
Aqui está o detalhe que pode decidir tudo: em sua defesa, Furlan alega que o plenário da Câmara teria arquivado essa representação. Mas as provas documentais mostram outra coisa — o plenário nunca deliberou sobre esse arquivamento. Quem determinou o arquivamento foi apenas a Comissão Processante, um órgão que não tem competência para isso. A única instância com poder para arquivar a representação é o plenário — afinal, foi o plenário que admitiu o processo em primeiro lugar.
Ou seja: se ficar comprovado que o plenário nunca votou pelo arquivamento, a renúncia de Furlan ocorreu com um processo de cassação ainda em curso, o que o enquadra diretamente na Lei da Ficha Limpa — e o torna inelegível.
Enquanto essa questão segue para ser decidida pela Justiça, outros processos avançam em paralelo:
A Polícia Federal descobriu que, durante seu mandato, R$ 25 milhões da verba de publicidade da prefeitura foram usados para financiar uma milícia digital — influenciadores, sites e até vídeos feitos com inteligência artificial (deepfakes) para atacar adversários e promover a própria imagem dele. Trinta e cinco mandados de busca foram cumpridos em três estados.

Há ainda uma denúncia formal do Ministério Público por compra de votos nas eleições de 2020, e uma ação no TSE que já tem placar parcial de 2 a 1 pela sua inelegibilidade, por abuso de poder político e econômico nas eleições municipais de 2024.
O próprio TRE-AP, mesmo tendo rejeitado a cassação por 4 a 2, reconheceu que ele cometeu irregularidades — usou a máquina pública e servidores municipais durante a campanha — e por isso aplicou multa de R$ 50 mil e determinou ressarcimento de quase R$ 87 mil aos cofres públicos.
O que isso significa na prática?
Até agora, nenhum tribunal decidiu de forma definitiva contra ele — por isso ele continua na disputa. Mas a lei brasileira é clara: vencer a eleição não é a mesma coisa que assumir o cargo. Se qualquer uma dessas ações — especialmente a que discute se o plenário realmente arquivou a representação, ou a do TSE — for concluída contra ele antes ou depois da posse, ele pode:
- Ter a candidatura cassada;
- Ter a diplomação negada, mesmo se fosse eleito;
- Provocar a necessidade de novas eleições, caso tenha recebido mais de 50% dos votos.
Dr. Furlan está concorrendo ao governo do Amapá cercado de processos sérios — uma renúncia sob suspeita, fraude, desvio de dinheiro público, milícia digital, compra de votos e abuso de poder. Ele ainda não foi condenado definitivamente, mas o risco de que sua vitória nas urnas seja anulada depois é real e concreto. Votar nele hoje é, na prática, apostar em um mandato que pode não se concretizar.