Nos últimos dias, publicações nas redes sociais tentaram criar uma falsa rivalidade entre os estados do Amapá e Roraima. O argumento utilizado afirmava que, enquanto Roraima recebe R$ 56 milhões do Novo PAC para substituir pontes de madeira por concreto na BR-210, o Amapá estaria “abandonado” por sua bancada e lideranças políticas, usando o recente tombamento de um caminhão de minério como “prova” de descaso.
No entanto, uma análise técnica e factual dos dados do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) desmente a acusação de abandono e revela que omitir o contexto geográfico e legal da rodovia é uma forma de desinformação.
1. Omissão de Culpabilidade: O problema do excesso de peso
A publicação original atribui a queda da ponte exclusivamente à “falta de investimentos”. A realidade dos fatos aponta para outra direção: o DNIT possui portarias rígidas que restringem o tráfego de veículos com peso bruto acima de 23 toneladas e proíbem composições como bitrens nas pontes de madeira da BR-210/AP, estabelecendo velocidade máxima de 10 km/h sobre essas estruturas.
O acidente mencionado envolveu um caminhão carregado de minério. Atribuir a destruição de uma estrutura exclusivamente ao governo, ignorando o descumprimento das leis de pesagem e a responsabilidade das empresas privadas que exploram a região, é mascarar a realidade. A infraestrutura sofre com a falta de responsabilidade fiscalizatória e civil de quem trafega com excesso de carga.
2. A falsa equivalência entre a BR-210 no Amapá e em Roraima
Dizer que Roraima recebe investimentos e o Amapá não, ignorando as características da rodovia, é um erro crasso de engenharia e logística. A BR-210 (Rodovia Perimetral Norte) foi um projeto ambicioso da década de 1970 que nunca foi totalmente interligado.
- Em Roraima: O trecho que recebeu os R$ 55 milhões do Novo PAC atende a municípios consolidados e agrícolas (como Caroebe e São João da Baliza) em áreas cuja topografia e histórico de licenciamento já estavam avançados há anos.
- No Amapá: Dos mais de 470 km da rodovia no estado, a maior parte corta áreas de densa floresta amazônica, além de estar próxima a terras indígenas e reservas ambientais. O processo para construção de pontes definitivas e pavimentação exige Estudos de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) complexos junto ao IBAMA. Não se trata de falta de vontade política, mas de respeito à legislação ambiental e à soberania das comunidades tradicionais.
3. O papel das lideranças e os investimentos reais
A alegação de que a presença de líderes políticos do Amapá em Brasília não gera resultados ignora o volume de investimentos que o estado vem recebendo justamente por meio do Novo PAC. O foco do estado em logística rodoviária tem sido a BR-156, a real espinha dorsal do Amapá, que recebe o maior volume de recursos históricos para sua conclusão definitiva.
Além disso, o DNIT mantém contratos ativos de manutenção e revitalização na BR-210/AP. Pontes importantes, como as sobre o Rio Cupixi e Rio Água Fria, passam por manutenção estrutural constante para garantir o abastecimento da Zona Centro-Oeste do estado enquanto os projetos de engenharia complexos para as estruturas de concreto avançam nas etapas de licenciamento e orçamento plurianual.
Veredito: Classificar a situação da BR-210/AP como “abandono político” é FALSO. A comparação com Roraima ignora as realidades jurídicas, ambientais e geográficas distintas de cada trecho. A infraestrutura da Amazônia exige responsabilidade técnica e civil — o que inclui punir o transporte ilegal de cargas pesadas que destrói o patrimônio público.
Para entender melhor as ações de engenharia que o Governo Federal realiza na região, assista ao vídeo do DNIT sobre a construção de pontes na BR-210, que detalha as especificações técnicas e o modelo de modernização adotado para a Perimetral Norte.