
O clima da disputa pelo Governo do Estado do Amapá atingiu o seu nível mais alto de tensão institucional. A Coligação “Trabalhar para Transformar o Amapá” (composta por NOVO, PSD, PODE e PL) — aliança de sustentação da pré-candidatura do prefeito de Macapá, Dr. Furlan — ingressou com uma Representação Administrativa Eleitoral no Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) pedindo o afastamento do Secretário de Segurança Pública, Delegado Cézar Augusto Vieira, e de chefias militares e civis das funções de planejamento e fiscalização do pleito eleitoral de 2026.
A peça jurídica, protocolo nº 0601338-59.2026.6.03.0000, traz entre os requeridos o Comandante-Geral da Polícia Militar, Cel. Márcio Allan Assunção, o Tenente-Coronel Wilkson de Araújo Santana (comandante do 5º Batalhão de Operações Especiais – BOPE), o Delegado-Geral da Polícia Civil, Daniel Marsili, além de outros oficiais e delegados.
O que diz a representação e a narrativa de bastidor
Nas redes sociais e nos grupos de debate político, o tom de apoiadores de Furlan é inflamado: acusam o grupo do atual governador e candidato à reeleição, Clécio Luís, de tentar aparelhar as forças policiais e dizem que o grupo do prefeito estaria sendo vítima de tentativas de censura. Para esses eleitores, o pedido de afastamento é lido como uma reatada contra a tentativa de “calar o comandante do BOPE e do Comando-Geral da PM” por terem se posicionado politicamente.
A argumentação trazida na ação eleitoral aponta que a cúpula da Segurança Pública gravou vídeos e fez publicações ostensivas declarando apoio aberto à campanha de reeleição de Clécio Luís. Segundo os advogados da coligação, o ato violaria o dever constitucional de neutralidade das forças coercitivas do Estado e confrontaria a própria Portaria Normativa nº 051-GCG/2026, baixada pela PMAP, que veda a policiais militares a manifestação político-partidária em meios públicos e redes sociais.
O que o documento formalmente pede: Veja se é o que parece:
Afastamento estrito da logística eleitoral: O pedido liminar é focado em proibir que o Secretário de Segurança, o Comandante do BOPE, o Comandante-Geral da PM e os demais citados atuem no planejamento, coordenação, fiscalização e policiamento específico do dia da votação e do pleito de 2026.
Uso de Força Federal (GVA): A representação sugere que a segurança das Eleições Gerais seja assumida prioritariamente sob as diretrizes do TRE-AP, agora pense… O TRE-AP (Deus nos proteja) e com a ampliação do apoio do Exército Brasileiro por meio de operações de Garantia da Votação e Apuração (GVA)
Repercussão no eleitorado e os riscos de lado a lado
A jogada jurídica colocou no teto a temperatura da disputa no Amapá. Se por um lado a aliança de Furlan tenta fixar a imagem de que o aparato estatal está sendo partidarizado para constranger opositores e eleitores, por outro, adversários apontam que a reação visa descredibilizar a cúpula da segurança em momento decisivo da campanha.
Entre os eleitores indecisos e a militância, os relatos de trocas de voto refletem o grau de polarização. A acusação de que agentes armados e comandantes de tropas ostensivas — como o BOPE — sobem em palanques virtuais divide opiniões entre os que enxergam abuso de poder político e os que defendem o direito de manifestação dos gestores.
O caso agora está nas mãos do relator no TRE-AP, Juiz Federal Alex Lamy de Gouveia, que avaliará se concede a tutela preventiva até o dia 4 de outubro.