MACAPÁ – A crise política em Macapá atingiu o ponto de ebulição. Com o avanço das investigações da Operação Paroxismo, o ex-vice-prefeito Mário Neto vê seu espaço de manobra encolher. Nos bastidores, a ideia de uma renúncia estratégica circula como última tentativa de evitar o cárcere, mas juristas e a opinião pública são unânimes: o gesto não será suficiente para apagar o rastro de destruição deixado nos cofres do município.
O Fim do Escudo Político
A justiça sinaliza que a renúncia não servirá como salvo-conduto. Se deixar qualquer cargo, Mário Neto perde o foro privilegiado, enviando seu processo diretamente para a Justiça Comum. Sem a proteção do cargo, o cumprimento de mandados de prisão preventiva torna-se ainda mais célere, especialmente diante das provas de desvios que superam os R$ 70 milhões.
A Conta que o Trabalhador Pagou
O sentimento nas ruas de Macapá é de indignação. Enquanto a gestão Furlan e Mário Neto é investigada por supostas fraudes em licitações e favorecimentos ilícitos, quem pagou a conta foi o trabalhador amapaense.
- Saúde em Ruínas: O dinheiro que deveria abastecer farmácias populares e manter UPAs foi drenado, deixando o cidadão comum sem assistência básica.
- Agressão ao Bolso do Povo: O sucateamento do transporte público e a falta de manutenção na infraestrutura urbana afetaram diretamente a rotina de quem precisa da cidade para produzir e sobreviver.
- Caos nos Cofres: O rombo bilionário deixado na prefeitura não é apenas um número contábil; é o retrato de escolas sem merenda e bairros sem saneamento.
Justiça Plena: Punir Toda a Gestão
O clamor popular, agora ecoado por órgãos de controle, é de que a punição não deve se limitar a um ou outro nome, mas sim a toda a cúpula da gestão. A tese defendida é a de que houve um projeto consciente de dilapidação do patrimônio público em benefício de um grupo político, enquanto o trabalhador enfrentava o abandono.
“A renúncia é um ato tardio. O que se espera agora não é o abandono do barco, mas o acerto de contas com a justiça. É preciso que paguem rigorosamente pelo que fizeram com a vida do povo e com cada centavo dos cofres de Macapá”, afirma um representante de movimentos sociais da capital.
Próximos Passos
Com a administração interina de Pedro DaLua expondo diariamente as “vísceras” de uma prefeitura sucateada, o Ministério Público e a Polícia Federal apertam o passo. A expectativa é que, independentemente de renúncias, os mandados de prisão sejam executados para garantir que os responsáveis respondam pelo impacto devastador causado à economia e à dignidade do trabalhador amapaense.
A mensagem das ruas é clara: não basta sair do cargo; é preciso pagar pelo que foi retirado do povo.