O óleo que vai mudar o Amapá — e quem preparou o terreno
Enquanto o mundo discutia se o Brasil devia ou não explorar petróleo na Amazônia, o governador Clécio Luís já vinha organizando o estado para esse momento desde 2023:
- Criou o Repetro, um regime tributário que reduz em até 40% o custo de empresas do setor de óleo e gás se instalarem no Amapá.
- Negociou a abertura de uma faculdade de petróleo da Petrobras na região, pensando em qualificar a população local antes que o dinheiro chegue.
- Construiu, com antecedência, o Centro de Reabilitação de Fauna no Oiapoque — exigência ambiental que muita gente nem sabia que precisava ser feita.
- Foi pessoalmente cobrar agilidade da presidente da Petrobras e articulou, junto com toda a bancada federal amapaense (Alcolumbre à frente), uma lei que acelera licenciamentos de projetos estratégicos.
Resultado: quando a licença saiu, o Amapá já estava pronto para recebê-la. Isso não é sorte. É planejamento.
O balanço que qualquer um pode conferir
Não é só discurso. O G1 fez um levantamento independente das promessas de campanha de Clécio: de 34 compromissos assumidos em 2022, 19 foram cumpridos integralmente e 12 estão em execução — um índice de mais de 90%. Hospitais entregues em Oiapoque, Tartarugalzinho, Santana e Porto Grande. Mais de 1.500 casas entregues no Residencial Miracema. Bilhões investidos em saúde e educação, com prestação de contas pública todo ano na Assembleia Legislativa.
Pode gostar ou não do governo. Mas é gestão que se mede, se documenta e se apresenta à população.
Do outro lado do rio: a herança que sobrou de Furlan

Agora compare com o que aconteceu na Prefeitura de Macapá.
Em dezembro de 2020, Clécio entregou a prefeitura sem dívidas, com R$ 1,2 bilhão em caixa — 140% mais do que havia recebido em 2013. Furlan assumiu com o “prato cheio”.

Cinco anos depois, o que se viu foi o seguinte:
1. Um rombo de meio bilhão de reais na previdência dos servidores. Auditoria do Ministério da Previdência mostrou que, entre 2023 e 2025, R$ 329,6 milhões em contribuições descontadas diretamente do salário dos servidores nunca foram repassados ao instituto de previdência. As reservas da MacapáPrev, que tinham mais de R$ 300 milhões em 2022, caíram para menos de R$ 30 milhões. A prefeitura atual estima o rombo total em até R$ 500 milhões. Isso é dinheiro que saiu do bolso de quem trabalha para o município e simplesmente desapareceu.
2. Obras que ele nunca disse de quem eram. Furlan gostava de anunciar “300 obras entregues”. O que ele nunca destacava é que a imensa maioria desse dinheiro não era da prefeitura — era emenda parlamentar da bancada federal, principalmente do senador Davi Alcolumbre. O Instituto de Pediatria (R$ 14,2 milhões), o Complexo Esportivo Glicério Marques (R$ 9,8 milhões), a revitalização da orla (R$ 10,8 milhões), o Trapiche Eliezer Levy (R$ 4,3 milhões) — tudo isso saiu do bolso de Brasília, não da gestão municipal. Ele cortava a fita, mas o cheque era assinado por outro.
3. Dinheiro público usado para se autopromover e atacar adversários. Esse é o ponto mais grave. Em maio de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Palanque Digital e descobriu que, durante quatro anos, R$ 25 milhões de verba de publicidade institucional — dinheiro que deveria informar a população sobre serviços da prefeitura — foi desviado para financiar uma rede de influenciadores, páginas falsas e conteúdos manipulados com inteligência artificial, com um único objetivo: promover a imagem pessoal de Furlan e da esposa dele, e atacar quem discordava. Pessoas ligadas a esse esquema teriam sido nomeadas em cargos públicos como forma de pagamento.
O Ministério Público Eleitoral já apontou que os gastos com publicidade estouraram 42,9% acima do limite legal em ano eleitoral, e pediu a cassação e inelegibilidade por 8 anos de Furlan e seu vice.
4. Fraude na obra do hospital. Foi justamente por suspeita de desvio de recursos na construção do Hospital Geral de Macapá que o STF, através do ministro Flávio Dino, afastou Furlan do cargo em março de 2026. No dia seguinte, para escapar da cassação e ainda tentar concorrer ao governo do estado, ele renunciou.
A diferença não está na opinião. Está no tipo de problema.
Aqui está o ponto mais simples de todos: gestão e desvio de conduta são coisas diferentes.
Clécio pode ter acertado mais ou menos, pode ter feito escolhas discutíveis — isso é normal em qualquer governo. Mas o que existe sobre sua gestão são números, balanços, entregas auditáveis e prestação de contas pública.
Sobre Furlan, o que existe é investigação da Polícia Federal, decisão do STF, apuração do Ministério Público Eleitoral e auditoria federal apontando para a mesma direção: dinheiro que devia ir para hospital, para previdência de servidor, para informar o cidadão — foi usado para enriquecer uma máquina de propaganda pessoal e desviar recursos.
Um governo se avalia pelo que entrega. O outro está sendo julgado pelo que escondeu.
A pergunta que fica
Se o dinheiro que sobrava — o das emendas federais — servia para cortar fitas e aparecer na foto, e o dinheiro que estava sob controle direto dele — o da previdência e da publicidade — sofreu um rombo de centenas de milhões, resta uma pergunta simples: isso é falta de competência para administrar, ou é escolha deliberada de para onde o dinheiro público só deveria ir para o bolso dele, do próprio Furlan?
A resposta, aparentemente, já está sendo dada pelo STF, pela Polícia Federal e pela Justiça Eleitoral.