A corrida eleitoral para os governos estaduais já começou nos bastidores dos algoritmos, e as cifras revelam uma realidade incômoda: a aparente popularidade digital de muitos políticos não passa de uma ilusão bem paga. Levantamentos recentes da biblioteca de anúncios da Meta mostram que pré-candidatos estão desembolsando centenas de milhares de reais em impulsionamento de conteúdo. O motivo por trás do investimento agressivo? Disfarçar a severa baixa no engajamento orgânico.
À medida que o eleitorado se mostra mais cético e as redes sociais reduzem o alcance natural de postagens políticas, a estratégia de “comprar público” virou questão de sobrevivência para manter a relevância artificial nas redes.
Aqui está a matéria atualizada, com um novo parágrafo destacando especificamente a disputa local e a diferença de gastos entre Dr. Furlan e Clécio Luís como exemplo prático da estratégia:
Cortina de Fumaça Digital: Pré-candidatos inflam engajamento com rios de dinheiro em tráfego pago
Por Redação | 12 de julho de 2026
A corrida eleitoral para os governos estaduais já começou nos bastidores dos algoritmos, e as cifras revelam uma realidade incômoda: a aparente popularidade digital de muitos políticos não passa de uma ilusão bem paga. Levantamentos recentes da biblioteca de anúncios da Meta mostram que pré-candidatos estão desembolsando centenas de milhares de reais em impulsionamento de conteúdo. O motivo por trás do investimento agressivo? Disfarçar a severa baixa no engajamento orgânico.
À medida que o eleitorado se mostra mais cético e as redes sociais reduzem o alcance natural de postagens políticas, a estratégia de “comprar público” virou questão de sobrevivência para manter a relevância artificial nas redes.
A ilusão dos números inflados
No topo dos gastos, Tarcísio de Freitas e João Campos lideram os investimentos, que ultrapassam a marca dos R$ 200 mil em apenas um mês. No entanto, especialistas em marketing digital alertam que o volume de curtidas e visualizações gerados por esses anúncios funciona como uma cortina de fumaça.
“O engajamento orgânico — aquele que acontece espontaneamente quando o cidadão realmente se interessa — despencou para figuras políticas. Para não mostrar um perfil ‘flopado’ ou abandonado, a saída mais rápida é injetar dinheiro para forçar o algoritmo a entregar o conteúdo”, explica um consultor de estratégia digital.
O Raio-X do Investimento: O Ranking dos Gastos
O levantamento, realizado entre 6 de junho e 5 de julho, considera os postulantes mais bem posicionados nas pesquisas. Confira abaixo quem mais abriu o bolso para garantir cliques e impressões no período analisado:
| Posição | Pré-Candidato | Valor Investido |
| 1º | Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) | R$ 271,4 mil |
| 2º | João Campos (PSB-PE) | R$ 203,1 mil |
| 3º | Deputado Zucco (PL-RS) | R$ 71,5 mil |
| 4º | Hana Ghassan (MDB-PA) | R$ 59,4 mil |
| 5º | Arthur Henrique (PL-RR) | R$ 59,3 mil |
| 6º | Omar Aziz | R$ 55,3 mil |
| 7º | Orleans Brandão | R$ 47,8 mil |
| 8º | Anthony Garotinho | R$ 40,5 mil |
| 9º | Marconi Perillo | R$ 29,1 mil |
| 10º | Joel Rodrigues | R$ 20,7 mil |
| 11º | Raquel Lyra (PSD-PE) | R$ 19,0 mil |
| 12º | Eduardo Paes (PSD-RJ) | R$ 18,0 mil |
| 13º | Celina Leão | R$ 16,6 mil |
| 14º | João Rodrigues | R$ 15,6 mil |
| 15º | Lucas Ribeiro | R$ 14,5 mil |
| 16º | Renan Filho | R$ 13,2 mil |
| 17º | Wellington Fagundes | R$ 13,1 mil |
| 18º | Ricardo Ferraço | R$ 13,0 mil |
| 19º | Rafael Fonteles | R$ 13,0 mil |
| 20º | Jorginho Mello | R$ 12,5 mil |
| 21º | Professora Maria do Carmo | R$ 11,3 mil |
| 22º | Jayme Campos | R$ 10,3 mil |
| 23º | Vicentinho Júnior | R$ 8,9 mil |
| 24º | Dr. Furlan | R$ 8,5 mil |
| 25º | Eduardo Riedel | R$ 7,0 mil |
| 26º | Álvaro Dias | R$ 6,8 mil |
| 27º | José Roberto Arruda | R$ 6,8 mil |
| 28º | Professora Dorinha | R$ 6,5 mil |
| 29º | Alan Rick | R$ 6,0 mil |
| 30º | Juliana Brizola | R$ 5,2 mil |
| 31º | Requião Filho | R$ 4,0 mil |
| 32º | ACM Neto | R$ 3,9 mil |
| 33º | Edilson Damião | R$ 3,6 mil |
| 34º | Elmano de Freitas | R$ 2,6 mil |
| 35º | Clécio Luís | R$ 2,6 mil |
| 36º | Lorenzo Pazolini | R$ 2,4 mil |
| 37º | Cícero Lucena | R$ 1,7 mil |
| 38º | Daniel Vilela | R$ 1,4 mil |
| 39º | Adailton Fúria | R$ 1,3 mil |
| 40º | Allyson Bezerra | R$ 957,00 |
| 41º | Sergio Moro | R$ 680,00 |
Duelos locais evidenciam a estratégia
Essa necessidade de inflar artificialmente as redes sociais para mascarar o baixo engajamento se repete em disputas regionais por todo o país. Um exemplo claro disso aparece no Amapá: para evitar demonstrar fraqueza em suas plataformas digitais, o prefeito de Macapá, Dr. Furlan, investiu R$ 8,5 mil em tráfego pago no período analisado — um valor significativamente maior do que o gasto pelo governador Clécio Luís, que desembolsou R$ 2,6 mil. Essa diferença de mais de três vezes nos investimentos digitais reflete como alguns políticos dependem muito mais do impulsionamento financeiro para sustentar a narrativa de alta aprovação popular e relevância virtual diante de seus adversários.
A grande questão que fica para o eleitor a cerca de 90 dias do primeiro turno é: até que ponto a popularidade de um candidato nas redes reflete o apoio real das ruas, e até que ponto ela foi simplesmente comprada? Em um cenário onde o clique é pago, o engajamento real virou o artigo mais escasso e valioso da política moderna.