Apenas dois dias após gravar um vídeo em que apoia e defende publicamente o ex-prefeito Dr. Furlan, a aparição do delegado Stephano da Silva Santos, titular da DRACO/AP, ao lado do político investigado reacende suspeitas de omissão, seletividade e interferência nas investigações.
A sequência de eventos divulgada recentemente gerou forte repercussão na imprensa e no cenário político local. Apenas dois dias depois de figurar publicamente em ato de apoio ao ex-prefeito do município, o delegado Stephano da Silva Santos, titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO/AP), gravou um vídeo manifestando defesa ostensiva ao gestor e tentando isentá-lo de acusações de irregularidades. O político foi recentemente afastado do cargo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) em decorrência das investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) sobre escândalos de corrupção.
A conduta da autoridade policial reacendeu acalorados debates sobre a neutralidade das apurações estaduais. Críticos e juristas apontam que o depoimento público de um titular de delegacia antiorganização criminosa tentando blindar um investigado gera grave ruído institucional, reacendendo suspeitas de omissão e favorecimento.
As Conexões Apontadas e o Vácuo de Investigação
A polêmica ganha contornos ainda mais graves diante de denúncias de que ex-integrantes de facções criminosas locais (conhecidos no meio como “Caçula”) teriam suposta ligação com a estrutura do ex-prefeito. Observadores ressaltam que as apurações dos esquemas de corrupção e eventuais conexões só avançaram devido à atuação direta das instâncias federais (PF e MPF), diante da inércia dos órgãos estaduais de segurança.

A manifestação em vídeo seguida do apoio público em comitê de campanha levanta três questionamentos centrais:
- Uso Indevido da Imagem Institucional: A utilização da autoridade do cargo de titular da DRACO para respaldar e defender um político investigado pode configurar infração disciplinar grave e descumprimento dos deveres funcionais.
- Suspeita de Omissão Investigativa: Questiona-se se a ausência de inquéritos e operações por parte da polícia estadual se deu por limitações operacionais ou por interferência e alinhamento com o grupo investigado.
- Atuação do Controle Externo: A situação coloca sob holofotes a necessidade de providências urgentes por parte da Corregedoria-Geral de Polícia e do Ministério Público Estadual (controle externo da atividade policial) para apurar condutas de prevaricação ou imparcialidade comprometida.
Riscos Administrativos e Jurídicos
Especialistas em direito público e eleitoral reforçam que manifestações políticas ostensivas e declarações de isenção de culpa prestadas por autoridades policiais ativas violam os estatutos da Polícia Civil e a Lei de Improbidade Administrativa. O caso pode motivar a instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) com pedido de afastamento cautelar do delegado das funções na DRACO, além de representações na Justiça Eleitoral por abuso de poder político e conduta vedada.
As investigações permanecem sob condução da Polícia Federal e do MPF E NÃO DA POLÍCIA CIVIL !