De falso herói a chefe dos bandidos: quem deveria garantir a segurança e a legalidade acabou, nas acusações das investigações, financiando e usando o crime para se manter no poder.

No Amapá, quem jurou proteger a população virou acusado de patrocinar o crime. Reportagens nacionais e investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Eleitoral apontam que o ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, teria articulado com integrantes da facção Família Terror do Amapá (FTA) para garantir votos em áreas dominadas pelo tráfico, especialmente no conjunto Macapaba, durante a campanha de 2024.
Em depoimentos e vídeos obtidos pela Justiça, investigados afirmam ter presenciado negociações em que dinheiro seria entregue em troca de apoio político e acesso a territórios controlados por criminosos. A PF também acessou mensagens, áudios e fotos que detalham um esquema de compra de votos nas eleições de 2020, com distribuição de dinheiro e cestas básicas e transporte ilegal de eleitores, práticas que o MP Eleitoral classificou como atuação de organização criminosa com Furlan entre os denunciados.