Uma crônica sobre gente que confunde Justiça com perseguição
Pois é, gente. Vivemos tempos sombrios. Tempos em que a Polícia Federal, com autorização do Supremo Tribunal Federal, investiga indícios de fraude em licitação de R$ 70 milhões destinados a um hospital Municipal de Macapá. Que absurdo, não é mesmo? Que atentado à democracia isso de… cumprir a lei.
Bem-vindos ao mundo real, onde leis existem para serem seguidas!
Sabe aquela coisa engraçada chamada Constituição Federal? Pois é, ela prevê que, quando há indícios de organização criminosa desviando dinheiro público, autoridades competentes podem — segurem-se — investigar. E mais: podem afastar gestores públicos para que provas não sejam destruídas. Um verdadeiro escândalo de… funcionamento institucional.
Não foi um general que bateu na porta da prefeitura. Não foi um golpe de estado. Foi um ministro do STF, com aval da PGR, baseado em relatório da PF, que encontrou coisas como:
- Uma proposta vencedora de licitação idêntica ao orçamento interno da prefeitura (que coincidência extraordinária, não?);
- Movimentação de dinheiro em espécie de forma “sistemática e anômala” logo depois do repasse dos R$ 70 milhões;

- Indícios de organização criminosa envolvendo agentes públicos e empresários.
- Transferencia de cerca de R$ 3 milhões para a clínica da Ex-primeira Daman e então Secretária de Mobilização Social de Macapá Rayssa Furlan
Mas claro, tudo isso deve ser “perseguição política”. Faz todo sentido. (Sarcasmo)
“Estão me perseguindo!” — a nova defesa Furlete!
Existe uma fórmula mágica no manual do político investigado, e ela é infalível:
- Aparecem provas → Eles gritam: “Isso é golpe!”
- Sou afastado do cargo → Eles gritam: “Estão me perseguindo!”
- Renuncio para concorrer a outro cargo →Eles gritam: “O povo vai me recompensar!”
Curioso como quem grita “perseguição” nunca explica por que a proposta da empresa contratada era igualzinha ao orçamento sigiloso da prefeitura.
Não explica, por que a transferência dos R$ 3 milhões? Muito menos, vai em debate ou entrevista, quando poderia usar este recurso para EXPLICAR!
Ah, esse detalhezinho fica de fora do discurso, né?
Defender é direito. Mentir sobre o processo é outra história.
Ninguém está dizendo que o cidadão não tem direito à defesa — tem, e deve exercer plenamente, com todos os recursos legais garantidos pelo devido processo. Isso é democracia.
O problema é outro: transformar uma investigação legítima em teatro de vitimização para escapar do debate sobre os fatos. É diferente de defender o processo justo — é manipular a narrativa para deslegitimar a própria Justiça, atacando instituições como STF e PF como se fossem inimigas do povo, quando na verdade estão fazendo exatamente o trabalho que a lei exige delas.

E aqui vai o ponto principal, sem rodeios: quando alguém, ao invés de rebater provas com provas, ataca o processo chamando-o de “golpe”, está tentando deslegitimar o combate à corrupção — e isso, sim, é o verdadeiro problema de conduta. Não é o cidadão comum exigindo que a lei seja cumprida. É quem usa cargo público e discurso emocional para escapar da responsabilização.
No fim das contas…
A lei não persegue ninguém. Ela aplica-se igualmente. Se não há nada a esconder, o processo segue seu curso normal e, ao final, a inocência (se for o caso) será reconhecida judicialmente — não em posts de rede social, nem em discursos de campanha.
Até porque, cá entre nós: ser investigado por indícios concretos de desvio não é golpe. É exatamente aquilo que deveria acontecer numa democracia que funciona.