Com a ficha judicial parecendo uma lista de compras e a inelegibilidade batendo à porta, o ex-prefeito prova que não precisa de oposição para implodir a própria carreira.
MACAPÁ — Diz o ditado popular no meio político que “para vencer um candidato forte, só uma oposição feroz”. O caso de Dr. Furlan, no entanto, veio para reescrever os manuais de ciência política. Diante dos últimos últimos acontecimentos de sua candidatura ao Governo do Estado, ficou claro que o Dr. Furlan não precisa da oposição dos adversários ou dos partidos rivais para perder uma eleição: ele é perfeitamente capaz de realizar essa proeza sozinho.
Após ser alvo de operações da Polícia Federal, investigações sobre fraudes e com o Ministério Público Eleitoral acionando o gatilho da Lei da Ficha Limpa para barrar seu registro, o ex-prefeito decidiu adotar a tática mais refinada do desespero político: a encenação em praça pública.
A Encenação de Milhões (e Vários Processos)
Sem o teto confortável do gabinete da Prefeitura — do qual se afastou e renunciou —, Dr. Furlan reapareceu onde todo político em apuros busca refúgio: na frente de uma câmera, em praça pública, postando as mãos em sinal de prece e jurando que “continua firme no pário”.
O gesto, porém, revela um nível de desconexão com a realidade quase poético:
- A Batalha Contra a Realidade: Enquanto a Justiça Eleitoral desenha o mapa de sua inelegibilidade com caneta permanente, Furlan grava vídeos tentando convencer o eleitorado de que liminares e decisões judiciais são meros “detalhes insignificantes”.
- A Vitória Fantasma: Caso o eleitor decida ignorar as dezenas de denúncias de corrupção, fraudes e abuso de poder e deposite seu voto nas urnas, surge a grande pergunta: assumir como? O plano de voo do ex-prefeito parece prever a conquista de um mandato “virtual”, já que a posse no mundo real seria impedida antes mesmo da diplomação.
- O Inimigo Interno: Oposição no Amapá conseguiu mostrar muitas falhas e crimes, que as próprias escolhas e atalhos administrativos do médico geraram. A ficha criminal extensa não foi fabricada pelos rivais; foi construída com rigoroso empenho pela própria gestão de Furlan a mando dele mesmo.
A Sombra do Próprio Passado
O passeio pelo centro de Macapá com sorriso ensaiado tenta disfarçar a derrocada nas pesquisas e a percepção de que a conta dos escândalos finalmente chegou. A cada nova operação da PF e a cada parecer do Ministério Público, a narrativa de “perseguição” vai perdendo o fôlego e dando lugar ao ridículo.
No fim das contas, a eleição de 2026 entrará para a história amapaense não pelo embate entre grupos políticos, mas pela crônica de um candidato que correu tanto em direção ao precipício que acabou atropelando a si mesmo. O perdedor nas urnas este ano, terá o troféu de derrota. E nele, estará cravado o nome de Dr. Furlan – com letras garrafais.